O comentarista PC Vasconcellos criticou a política de torcida única nos clássicos do futebol baiano durante o programa Seleção Sportv desta segunda-feira (24). A declaração aconteceu após a morte de dois torcedores e seis prisões relacionadas a confrontos entre integrantes de torcidas organizadas no último domingo (23), dia do Ba-Vi 508.
Para PC, a adoção da torcida única não resolve o problema da violência e acaba sendo uma alternativa mais simples para as autoridades. O comentarista destacou que, apesar da medida, os confrontos continuam ocorrendo fora dos estádios.
“A grande questão está na excrescência que é o clássico com torcida única, uma preguiça do poder público. O poder público bota torcida única, mas comprovadamente as brigas em estádio diminuíram consideravelmente, e o Rio de Janeiro é um solitário exemplo de que é possível fazer clássicos [com duas torcidas]. A preguiça do poder público leva os clássicos a terem torcida única nos clássicos. Começou em São Paulo, e isso foi contaminando o restante do Brasil”, analisou PC Vasconcellos.
O Ba-Vi do último domingo foi disputado no Barradão com torcida única e terminou com triunfo do Bahia por 2 a 0. Apesar da restrição, os episódios de violência ocorreram fora da área do estádio, reforçando o debate sobre a efetividade da medida.

A torcida única nos clássicos baianos começou a ser adotada em 2017. Houve uma tentativa de retomada das duas torcidas em 2018, mas a medida não foi mantida e, desde então, os Ba-Vis seguem sendo realizados com apenas a torcida do clube mandante.
O assunto voltou a ganhar força em março deste ano, quando o Vitória solicitou autorização para levar torcedores ao setor visitante da Casa de Apostas Arena Fonte Nova na final do Campeonato Baiano. O pedido, porém, não foi aceito.
Na ocasião, o Ministério Público da Bahia alegou que não havia garantias suficientes para assegurar a segurança dos torcedores visitantes, enquanto a Polícia Militar manteve a recomendação pela torcida única.
Após os acontecimentos do último domingo, a discussão sobre o modelo voltou ao centro do debate. Para PC Vasconcellos, o desafio das autoridades deveria ser encontrar mecanismos capazes de garantir a segurança com a presença das duas torcidas, em vez de simplesmente restringir o acesso de uma delas.
O episódio também reacende a discussão sobre a violência envolvendo torcidas organizadas na Bahia e sobre a necessidade de medidas que atuem diretamente nos confrontos, inclusive fora dos estádios.

