Ceni destaca competitividade do Bahia após triunfo no Beira-Rio, mas admite: “Foi tecnicamente fraco”

Redação
9 min de leitura
Fotos: Rafael Rodrigues/EC Bahia

O Bahia conquistou um resultado histórico na tarde deste domingo (15) ao vencer o Internacional por 1 a 0, no estádio Beira-Rio, pela 6ª rodada do Campeonato Brasileiro. Com gol de Willian José ainda no primeiro tempo, o Tricolor garantiu seu primeiro triunfo no estádio colorado em jogos da Série A e manteve os 100% de aproveitamento como visitante na competição.

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Após a partida, o técnico Rogério Ceni analisou o desempenho da equipe e classificou o duelo como um jogo de poucas qualidades técnicas, mas ressaltou a postura competitiva do time, principalmente na parte defensiva.

“Acho que não foi um grande jogo. O jogo foi tecnicamente fraco na minha opinião, mas é um time que tem competido bastante e dado resposta fora de casa até agora. Claro que em alguns momentos colocamos a bola no chão, no lance do gol foi assim, mas criamos pouco perto do que normalmente a gente cria. Mas é um time que compete muito, se comporta bem em linha defensiva. Tivemos chances de contra-ataque, mas não fizemos um jogo tecnicamente tão bom para fazer 2 a 0”, avaliou o treinador.

Ceni também destacou a dificuldade histórica de atuar no Beira-Rio e comemorou o resultado conquistado em Porto Alegre.

“Acho que é a primeira vez que ganho aqui como treinador. Já perdi muito, empatei algumas. Inter jogando aqui tem muita tradição, camisa pesada”.

Fotos: Rafael Rodrigues/EC Bahia

Bahia mais competitivo fora de casa

Com o resultado, o Bahia chegou à terceira vitória como visitante no Brasileirão 2026, igualando a quantidade de triunfos fora de casa conquistados em toda a campanha da Série A de 2025.

Para o treinador tricolor, o time atual tem características diferentes da equipe do ano passado, priorizando intensidade e organização defensiva.

“Eu acho que é um time mais competitivo, mais transição, mais pegada na marcação que o ano passado. Ano passado era um time mais técnico, um jogo que eu achava fantástico de ver jogar. Gostaria de repetir atuações como no ano passado, mas não posso fechar os olhos. Acho que caímos tecnicamente, mas estamos melhores defensivamente. Eu espero retomar momentos tão bons quanto foi ano passado. Mas ano passado só ganhamos três jogos em 19 fora de casa. Esse ano já ganhamos os mesmos três jogos. Ainda precisamos ter mais bola fora de casa, hoje foi muito perde e ganha, mas aproveitamos as chances e nos defendemos bem.”

Elogios a Luciano Juba

Durante a coletiva, Ceni também destacou o momento vivido por Luciano Juba, que está na pré-lista da Seleção Brasileira e vive a expectativa de uma possível convocação.

Fotos: Rafael Rodrigues/EC Bahia

“Eu sou fã do Juba, gosto muito dele. Quando cheguei, ele era um ponta que veio do Sport. Ele jogou de ala para mim em um momento difícil de luta contra o rebaixamento. Nos anos seguintes mudamos um pouco a característica dele, jogou por dentro. Eu adoro jogador que faz mais de uma função. Ele faz muita diferença para a gente. A gente muda muito ele em função de como o outro time vem nos marcar. Um lateral de muito bom passe, de visão de jogo. Quando joga por fora também encontra boas parcerias, é multifuncional. Acho que como lateral que joga por dentro hoje no futebol brasileiro é o melhor. Jogador que veio a custo zero para o Bahia. Eu não estranharia se chegasse a uma Copa do Mundo. Jogadora que tem gol, finaliza, bola parada. E um menino fora da curva, que é o que mais vale no futebol. Nunca reclama, está sempre disponível para jogar, menino de ouro.”

Análise de jogadores e do gol do triunfo

O treinador também comentou a atuação de Nicolás Acevedo, improvisado, e explicou a escolha pela manutenção do jogador na função.

“Nico fez um bom jogo no clássico, ajudou muito na construção. É um jogador muito aguerrido. Román é um jogador jovem ainda, está se adaptando. É um jogador mais de passagem pelo lado, mas como a gente joga muito com dois pontas…Gostamos muito da construção do Nico. Para mim, foi um dos principais jogadores no dia de hoje. Preferi manter e ir com o Erick pelo meio, um jogo de mais força contra o Inter. Optamos por manter o que fizemos no último jogo. Nico se adapta bem, já jogou até de zagueiro comigo. Entrega experiência, conhecimento, luta, por isso a opção por ele.”

Sobre o gol que garantiu os três pontos, marcado por Willian José, Ceni ressaltou a importância do centroavante para a equipe.

“Willian é um jogador que tem característica de flutuação e armação e jogo, é muito importante dentro da característica dele. Não é um cara de intensidade alta, de ataque ao espaço, é um jogador importante para qualificar tecnicamente o time. Centroavante vive de gols, ele perdeu um pênalti esses dias, e isso fica na memória do torcedor. Todos sofrem críticas, somos alvos duas vezes por semana. Acho que ele não foi o melhor hoje, mas fez gol. É continuar, se condicionar cada vez melhor, ele tem ajudado bastante a gente. Willian tem muitos gols, ajuda, críticas e elogios fazem parte do jogo.”

Reação após eliminação na Libertadores

Ceni também comentou o momento da equipe após a eliminação na Libertadores e ressaltou a importância de seguir focado na temporada.

“A competição que eu mais gosto de jogar e mais dou valor é a Libertadores. O Brasileiro nos norteia, vai até dezembro, e temos que brigar por cada ponto. Foi doloroso para a gente, não era o que a gente queria. Foram dois anos conseguindo essa vaga na pré-Libertadores. Vamos brigar, mas não tem como ficar preso no passado. Alguns times com mais história ficaram fora da competição. Não dá para parar, temos que continuar lutando. Ganhamos o estadual em um jogo difícil e vencemos jogos complicados fora de casa no Brasileiro: Vasco, Corinthians e Inter, que é um time bom, apesar de estar sem confiança. Acho que retomamos rápido. Temos apenas uma derrota no ano, e ela foi fundamental para nos tirar da Libertadores. Agora temos que continuar, nunca tivemos um início tão bom. No futebol você pode perder, só não pode desistir.”

Desfalques e característica do elenco

Ao falar sobre a ausência de Everton Ribeiro, o treinador destacou que o time perde qualidade técnica, mas pode ganhar força física em alguns jogos.

“Eu acho que muda a característica. Em tese temos Nestor e Michel, contratados para fazer essa função. Michel voltando de lesão. Mas não é fácil substituir o Everton né?! Você vai trazer alguém tão bom quanto ele para deixar no banco? Se você tem um jogador talentoso como esse, tem que tirar o máximo dele. Uma pena ele ter se machucado, mas para jogos fora de casa, temos que tentar ter mais força. Acho que ele faz mais falta para jogos dentro de casa, quando precisamos ser protagonistas. Acho que mudou muito também porque Caio machucou ano passado, está voltando aos poucos. O time é menos técnico que ano passado.”

Próximo compromisso

O Bahia volta a campo na próxima quarta-feira (19), quando enfrenta o Red Bull Bragantino, às 19h, na Arena Fonte Nova, em partida válida pela sequência do Campeonato Brasileiro.

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