O Bahia mostrou poder de reação para superar o Internacional por 3 a 2, neste domingo (30), na Arena Fonte Nova, pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. Depois de sair atrás no placar, o Tricolor conseguiu marcar três vezes ainda no primeiro tempo e sustentou o resultado até o apito final.
Após a partida, o técnico Rogério Ceni destacou principalmente a capacidade de reação da equipe. Para o treinador, a virada diante do Inter foi uma demonstração da força mental do elenco.
“Eles perderam uma chance no lance seguinte ao gol. Eles poderiam ter feito o terceiro, mas a gente também poderia ter feito o quarto. Há uma série de possibilidades para os dois lados. A gente construiu o 3 a 1 e teve força mental para virar o jogo saindo atrás com 16 minutos. Em 30 minutos a gente virou um jogo para 3 a 1. Isso demonstra força mental”, afirmou.
Ceni também ressaltou que o futebol envolve aproveitar as oportunidades criadas e saber lidar com os riscos oferecidos pelo adversário.

“Futebol é isso, são chances para você e contra. Acho que perdemos mais chances que o Inter. Pulga cabeceia uma bola muito perto do gol. O time cria, tem volume, chega. Quando a gente vai cansando, depois de criar tanto, é natural… se você não matar o jogo, dá chances ao adversário. O Inter precisava muito vencer hoje, tem bons jogadores, na minha opinião é um bom time”, explicou.
Ceni destaca intensidade do trio de ataque
Os atacantes também receberam elogios do treinador. Erick Pulga foi o grande destaque ofensivo, balançando as redes duas vezes, enquanto Alejo Véliz e Kike Olivera participaram diretamente de outros momentos importantes da construção dos gols.
Para Ceni, a intensidade demonstrada pelos três jogadores é fundamental para o estilo de jogo do Bahia.
“Eles são os mais intensos. Os três da frente são os mais intensos. Kike jogou mais contra o Vitória do que hoje, mas é um jogador que pressiona o goleiro o tempo todo. Hoje errou alguns cruzamentos, mas é um cara que se entrega. Então é muito importante a presença deles. Pulga, Kike e Alejo estão em alta rotação”, disse.
O treinador também citou jogadores que precisam alcançar novamente esse nível de intensidade e ressaltou a importância da pressão sobre a saída de bola adversária.

“Precisamos fazer Ademir recuperar isso agora que está voltando de lesão, fazer Ruan Pablo entender. Se você pressionar o adversário tem mais chances para ganhar uma segunda bola e se manter no campo de ataque”, completou.
Ansiedade preocupa treinador
Apesar do triunfo, Ceni apontou um comportamento que considera prejudicial ao Bahia, principalmente quando a equipe atua diante da própria torcida: a ansiedade para acelerar as jogadas e transformar a partida em um confronto de transições constantes.
O técnico utilizou o segundo gol do Internacional como exemplo de uma decisão equivocada tomada pelo Tricolor.
“O lance do segundo gol do Inter começa com uma jogada nossa lá no ataque. A gente tinha quatro jogadores na segunda trave, mas a escolha é por fazer uma tabela. Dali o Inter sofre uma falta, cobra rápido e faz o gol. Começa com uma escolha errada”, analisou.
Ceni também destacou a participação de Pulga e voltou a falar sobre a necessidade de tomar decisões melhores durante as partidas.
“Mas fizemos três gols no jogo. O Pulga, que é um ponta, fez dois. Muito tempo que um ponta nosso não faz dois gols. Então tem essas situações das decisões, acho que também ficamos muito ansiosos, o torcedor gosta desse jogo de transição, mas ele não nos faz bem.”
Segundo o treinador, o Bahia precisa encontrar equilíbrio para não abandonar suas características em busca de agradar à torcida.
“Às vezes a gente não consegue, jogando em casa, fazer isso o tempo todo. Eu noto que os jogadores se sentem ansiosos aqui, eles não conseguem se soltar. Eles querem agradar ao torcedor e deixam de fazer a jogada certa para acelerar. A gente não tem um time para fazer esse tipo de jogo, não é saudável entrar nesse ritmo”, afirmou.
Bahia mantém sequência positiva

Com o triunfo sobre o Internacional, o Bahia ampliou sua sequência sem derrotas e segue na disputa pelas primeiras posições do Campeonato Brasileiro. Ceni, no entanto, evitou fazer projeções baseadas apenas na classificação e reforçou a necessidade de manter o foco dentro de campo.
“O futebol brasileiro é muito parecido, o Vasco ganhou do Cruzeiro. Não dá para vender uma história pela pontuação, tem a tradição, conta muito a camisa. O futebol está muito parelho, muito parecido”, declarou.
Em outro momento da coletiva, o técnico reforçou sua avaliação:
“Não podemos comprar essa onda da tabela de classificação. É muito simplista isso. O problema se resolve no campo de jogo, lutando palmo a palmo, como foi contra o Vitória e como foi hoje.”
Próximo desafio será fora de casa
O Bahia volta a campo no próximo sábado (5), quando enfrenta o Bragantino, no estádio Cícero de Souza Marques, pela abertura da 26ª rodada do Brasileirão. A partida está marcada para as 16h, no horário de Brasília.
O Tricolor vai buscar mais um resultado positivo para seguir entre os clubes que brigam pelas primeiras posições da competição.

