O diretor de futebol do Bahia, Cadu Santoro, concedeu uma rara entrevista coletiva durante o amistoso contra o Montevideo City Torque e comentou diversos temas relacionados ao planejamento do clube. Entre os assuntos abordados estiveram o desempenho da equipe no primeiro semestre, a atuação no mercado de transferências, a montagem do elenco e as metas estabelecidas para a sequência da temporada.
Segundo o dirigente, o principal objetivo esportivo do clube permanece o mesmo desde a chegada do Grupo City.
“Esse é o objetivo todo ano. Seguir crescendo, se estabilizar como um clube de Top 5 ou Top 6 do Brasil, o que não é fácil na liga brasileira.”
Cadu explicou que a prioridade é manter o Bahia constantemente na disputa da Libertadores, destacando que o desempenho em um campeonato de pontos corridos exige regularidade.
“O objetivo é muito claro, a gente quer o clube todo ano classificando para a Libertadores. No torneio de pontos corridos a gente tem que ter muito claro nosso objetivo, que é classificar para a fase de grupos da Libertadores. A gente sabe que as copas têm muita imprevisibilidade dentro da competição. A gente entende que são torneios com possibilidade de conquistas maior que os pontos corridos, onde a folha salarial está atrelada aos campeões. Mas a gente precisa sempre crescer como um todo, e todas as áreas estão trabalhando para isso. O campo é a consequência de um processo de gestão em vários departamentos.”
Apesar da conquista do Campeonato Baiano e da sexta colocação no Brasileirão antes da pausa para a Copa do Mundo, o dirigente reconheceu que as eliminações precoces na Libertadores e na Copa do Brasil deixaram um sentimento de decepção.
“As eliminações nos frustraram muito, a gente fez grandes investimentos nos últimos anos e perdeu para clubes com menos investimentos.”
Ele também explicou que os resultados esportivos impactam diretamente o planejamento financeiro do clube.
“Todo mundo dentro do clube tem consciência das consequências financeiras de quando a gente é eliminado de competições importantes. O clube como um todo tem que corrigir a rota porque a entrega da receita vai ser menor do que a projeção. Então diminuir o quantitativo do elenco é um exemplo de correção de rota para poder entregar o que é esperado no financeiro. (…) Obviamente nesse ano tivemos eliminações que não esperávamos e isso impacta em todo o clube.”
Mercado segue aberto
Sobre a janela de transferências, Cadu afirmou que o Bahia ainda pretende realizar novas movimentações, mas ressaltou que primeiro será necessário definir quais jogadores deixarão o elenco.
“Possivelmente faremos outros movimentos, mas temos que entender quais serão as saídas. E também vamos dar minutagem para os jovens, que é uma parte muito importante de nosso projeto. (…) A janela ainda nem abriu. Precisamos entender como fazer os movimentos. Acho que alguns setores temos muitos atletas hoje, para o número de jogos que vamos fazer. Não queremos fazer negócios ruins, temos a capacidade financeira hoje para só fazer negócios que sejam bons para o Bahia. Vamos promover algumas saídas, seja por folha ou por venda.”
O dirigente ainda descartou reforços para a função exercida por Everton Ribeiro, salvo em caso de uma saída no elenco.
“Falar em substituição ao Everton Ribeiro no futebol brasileiro em dez anos tem poucos. Pode ser que a gente tenha que mudar o jeito de jogar, porque encontrar um substituto para o Everton Ribeiro não é fácil. Não faremos um movimento neste mercado. Só se tiver uma saída neste setor. A gente tem atletas na base com características de dez: Roger Gabriel, David Martins, o Carioca. Para esta janela não faremos movimentos neste setor. A não ser que tenha uma saída.”
Lateral direita já tem solução interna
Outro tema abordado foi a lateral direita. Cadu explicou que a saída de Gilberto ocorreu porque o clube acredita no potencial de Marcos Victor e também conta com Roman Gomez para a posição.
“Foi uma saída antecipada para utilizar o Marcos Victor, e não para ir ao mercado. Nossa ideia é ter Marcos Victor e Roman Gomez nessa posição. Em uma eventualidade o Acevedo e o Erick já mostraram que podem jogar nessa posição.”
Com duas contratações já confirmadas para o segundo semestre, o Bahia seguirá monitorando o mercado até a abertura oficial da janela, no dia 20 de julho, mas mantendo a estratégia de reforçar apenas posições consideradas realmente necessárias.

