Após ser alvo de críticas na partida entre Bahia e Palmeiras, no último domingo, o gramado da Arena Fonte Nova voltou a ser pauta nesta sexta-feira (3). Dois dias antes de o Tricolor receber o Flamengo, a administração do estádio se pronunciou e garantiu que o campo estará em perfeitas condições para o confronto.
Na ocasião anterior, a aparência do gramado chamou atenção pela coloração diferente e levantou debates entre os técnicos Abel Ferreira e Rogério Ceni, além de registro feito pelo árbitro Anderson Daronco, que relatou o uso de tinta verde para disfarçar imperfeições no solo.
Responsável pela operação da arena, Milena Andrade, gerente de operações da Casa de Apostas Arena Fonte Nova, garantiu que o campo está tecnicamente adequado.
“O gramado vai estar apto para o jogo do Flamengo, principalmente respeitando todos os parâmetros técnicos, como atração, umidade, altura de corte e compactação”, assegurou em entrevista ao Globo Esporte.
Milena explicou que a tonalidade diferente faz parte de um processo de manutenção programada, sem interferir na qualidade do piso.
“A gente tem um calendário, um cronograma de atividades planejadas para o gramado respeitando a janela entre os jogos. Nesse momento, o gramado não tem um verde habitual. Mas o que a gente consegue assegurar é que, para o gramado, não se observa, se afere, pela questão estética. A gente afere por parâmetros técnicos, que são a atração, umidade, compactação e resistência do gramado”, detalhou.
Ainda segundo a gerente, os parâmetros técnicos permanecem estáveis e o tom de verde deve voltar ao normal ao longo do mês de outubro, durante a paralisação para a Data Fifa.

“A qualidade do gramado, tecnicamente, permanece inalterada. Todos os parâmetros estão sendo respeitados. Visualmente, a gente não tem o verde usual, mas logo em breve vamos ter esse verde novamente”, completou.
Milena também comentou sobre o uso de corantes esportivos, prática comum em estádios de alto nível.
“O corante esportivo é apropriado e recomendado para usar em gramados esportivos se necessário. Tanto que, em jogos nacionais e internacionais, o corante é utilizado. Se necessário, a gente vai estar utilizando. Como é um organismo vivo, a gente precisa de tempo. Em outubro, a gente vai ter uma janela favorável. Nesse intervalo, a gente vai conseguir fazer o trabalho intensivo de manutenção para resgatar e acelerar esse verde”, finalizou.
Polêmica entre os técnicos
Antes da bola rolar contra o Palmeiras, a aparência do campo já chamava atenção. No jogo, o time paulista perdeu Lucas Evangelista e Piquerez por lesão ainda no primeiro tempo, e o técnico Abel Ferreira não poupou críticas ao estado do gramado.
“É difícil, você não está preparado para este tipo de situação, não está preparado para jogar num campo com um gramado… Estamos falando de futebol de alto nível, futebol profissional, isto devia ser inadmissível. As lesões surgem pelas condições do gramado porque o pé fica preso, infelizmente”, disse o treinador português.
O técnico Rogério Ceni, por sua vez, concordou que o campo não estava nas melhores condições, mas rebateu as declarações do comandante alviverde.
“Acho que a cor estava muito feia. Para o Palmeiras, é melhor gramado ruim porque só fazem ligação direta, quase. A característica de jogo deles é Weverton-Flaco-Vitor Roque. A gente prejudica mais porque joga desde trás do chão. Também gostaríamos que o gramado tivesse em melhor condição, mas acho que atrapalhou mais para nós. Sobre lesão, me desculpa, mas para quem joga em gramado sintético reclamar de lesão em gramado natural, aí fica feio”, respondeu Ceni.
As falas do treinador tricolor provocaram reação do diretor de futebol do Palmeiras, Anderson Barros, que criticou o tom adotado por Ceni.
“Os títulos que o clube conquistou sob o comando da comissão técnica do Abel demonstram a excelência do trabalho desenvolvido. A declaração do senhor Rogério Ceni entra em uma questão ética complicada e eu acho que ele deveria repensá-la”, afirmou o dirigente.







