Neste sábado, às 21h, na Arena Fonte Nova, o duelo entre Bahia e Botafogo marca um reencontro carregado de emoções: o técnico Renato Paiva volta ao estádio onde viveu uma passagem turbulenta durante sua trajetória no comando do Tricolor Baiano. Primeiro treinador contratado sob a gestão do Grupo City, Paiva enfrentará novamente a torcida que, em 2023, protagonizou uma ruptura marcada por críticas e protestos.
Contratado no fim de 2022 com altas expectativas, principalmente por seu histórico vitorioso no Independiente del Valle, do Equador, e sua formação no Benfica, o português chegou a Salvador como símbolo de uma nova era. No entanto, o início irregular, com derrotas expressivas como o 6 a 0 sofrido para o Sport pela Copa do Nordeste, comprometeu desde cedo sua relação com os torcedores.
A eliminação precoce no Nordestão, a defesa pública de seu estilo de jogo e a afirmação de que “quem manda no clube é o grupo que o comprou” geraram atritos e alimentaram o clima hostil. Embora tenha conquistado o Campeonato Baiano, o rendimento do time no Brasileirão e o temor do rebaixamento aumentaram a pressão. Em julho, a maior torcida organizada do clube pediu abertamente sua demissão.
Renato Paiva, apesar de resistir no cargo por mais dois meses, pediu desligamento em setembro de 2023, após episódios ofensivos nas redes sociais — incluindo uma montagem em que aparecia com orelhas de burro. Em entrevistas posteriores, o treinador deixou claro que a saída foi motivada por um acúmulo de desgaste emocional e falta de respaldo interno.
No total, o técnico comandou o Bahia em 49 partidas, com um aproveitamento de 49%. Agora, à frente do Botafogo, Paiva retorna ao cenário de sua maior frustração no futebol brasileiro. Embora ainda enfrente desafios no novo clube, com um início oscilante, tem conseguido reação recente e conta com apoio da diretoria alvinegra.
Demonstrando respeito e afeto pelo ex-clube, Paiva declarou que guarda carinho pela história construída em Salvador, mas que agora está focado em levar o Botafogo à vitória. “Se eu pudesse, nunca jogaria contra minha história, mas hoje defendo o Botafogo com orgulho”, disse o treinador, que busca neste sábado um novo capítulo, desta vez com um desfecho mais favorável.
“Se diz que saí por um cartaz com as orelhas de burro, não. Era um acumulado, estádio inteiro estar a insultar-te causa mais impacto que um cartaz”, disse Paiva em entrevista recente ao Charla Podcast.
– O Bahia é parte da minha história. Me abriu as portas para trabalhar no Brasil, tenho muito orgulho daquele escudo, do grupo de jogadores, torcida. Adorei Salvador. A história poderia ser diferente? Sim. Mas foi o que foi e tenho muito respeito. Se eu pudesse nunca jogaria contra a minha história, mas, como não posso, hoje represento o Botafogo com muito orgulho e, obviamente, vou entrar na Fonte Nova com vontade de que o Botafogo jogue bem e ganhe. Mas não é contra ninguém, é pelo Botafogo – explicou.
Em busca de uma história no Botafogo totalmente diferente da que construiu no Bahia, Paiva tenta dar nova resposta positiva neste sábado, aos olhos da torcida tricolor.







